Personagem: Maurício Fernandes. Volta aos rallies com título

Foram 15 anos longe da principal prova da modalidade nas Américas, até que o desejo de voltar falou mais alto. E nem pareceu que Maurício Fernandes e o Sertões andavam distantes há tanto tempo. Na atípica edição 2020, disputada fora do período habitual, o paulista de 49 anos não só venceu na categoria Moto Over, como ainda foi o 11º na geral (entre 60 inscritos) com uma máquina praticamente original: a Husqvarna FE 450 da qual é importador oficial para o Brasil.

Não foi a única conquista em 2020 de alguém que se apaixonou pelas duas rodas em outra modalidade (o trial) e viveu aventuras no maior rally do mundo: o Dakar, ainda em solo africano. A temporada valeu ainda o título brasileiro de Rally Baja também na Over – a competição foi uma forma de preparação para o Sertões e chance de desenvolver o equipamento.

“Eu vinha disputando provas de hard enduro e enduro FIM e senti que era o momento de voltar aos rallies. Estava bem treinado, condicionado e se juntou a isso o desejo do Olivier (Anquier) em fazer o Sertões. Para quem não é profissional, como o meu caso, fui bastante competitivo. Além de tudo, tive a chance de mostrar o produto que eu represento. A moto é muito econômica e sequer precisamos instalar tanques suplementares. Pude rodar mais leve e não tive nenhum problema mecânico.

Fernandes disputou seu primeiro rally na década de 1990 com uma Yamaha DT180 – nem de longe a moto mais adequada para encarar esse tipo de desafio. Em 1998 veio o desejo de encarar o Dakar, numa edição que partiu de Granada (Espanha).

Com orçamento limitado, a ordem foi apostar numa KTM de segunda mão sem nenhuma assistência técnica, no esquema ‘malle moto’ – peças de reposição e ferramentas eram guardadas numa caixa transportada de um ponto a outro pelos aviões da organização, e apenas o próprio piloto se encarregava da manutenção. “Eu tinha o dinheiro para a moto e a inscrição, não para o resto. Mas não deixaria de participar por isso”.

Acidente grave

Não fosse desafio suficiente, antes da sétima etapa o paulista teve seu equipamento de prova (roupa, planilha, passaporte e bolsa de hidratação) roubado enquanto despachava sua caixa. Com material emprestado, mas sem poder se hidratar corretamente, apagou sobre a moto e sofreu um acidente sério. O saldo foi uma hemorragia interna e a necessidade de retirar o baço.

Fim da linha? De modo algum. No ano seguinte ele já estava de volta, desta vez com uma moto nova e apoio mecânico. Numa edição ‘raiz’, garantiu a 12ª posição final. “Não foi fácil. Uma moto de 660cc com 150 quilos e 45 litros de combustível nos tanques. Eu sonhava com os trechos mais abertos para poder descansar um pouco”.

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