Rally Safari: aventura africana volta ao WRC

Foram 19 anos de espera para que uma das provas clássicas do rally internacional retornasse ao calendário do Mundial (WRC). E trouxesse um desafio novo para pilotos e navegadores. O Rally Safari 2021, no Quênia, será bem diferente das versões nos anos 1980 e 1990. Ainda assim, vai exigir ao máximo as duplas e o equipamento, com estradas de terra de condições variadas – desde trechos velozes em bom estado a partes esburacadas e repletas de pedras. Cenário que as chuvas constantes podem mudar totalmente em questão de minutos. A disputa começa quinta-feira (24), com uma Super Especial de 4,8 km.

O formato do Safari 2021 se ajustou às demais provas do calendário. Serão 18 estágios em 10 especiais diferentes (320 km cronometrados). A mais longa – Kedong –; tem 32,6 km, distância semelhante à de várias outras no calendário. Mas o tipo de terreno levou as equipes a fazer ajustes nos carros – reforços e proteções extras. Alguns ganharam inclusive os snorkels para permitir a passagem por trechos alagados.

Inscritos

A lista final de inscritos conta com 54 carros, a grande maioria de duplas locais e de países vizinhos, como Uganda. Na classe principal (Rally 1), são 11 máquinas: os quatro Toyota Yaris oficiais (Sebastien Ogier, Elfyn Evans, Kalle Rovanpera e Takamoto Katsuta); três Ford Fiesta da M-Sport (Adrien Fourmaux, Gus Greensmith e Lorenzo Bertelli); três Hyundai i20 oficiais (Ott Tanak, Thierry Neuville e Dani Sordo), além do i20 do time-satélite 2C. Que será comandado por Oliver Solberg – o pai, Petter, não conseguiu vencer o Safari correndo por Ford e Subaru.

Petter (campeão mundial em 2002), deu um conselho ao filho que poderia parecer brincadeira: “não atropele nenhum leão pelo caminho”. A preocupação, no entanto, é séria. O roteiro inclui reservas naturais em que há vários animais selvagens, especialmente girafas, zebras e babuínos.

Entre os pilotos locais, destaque para o queniano Carl Tundo (VW Polo R5), tetracampeão da prova no período em que valeu para o Campeonato Africano (ARC). E uma atração à parte é o polonês Sobieslaw Zasada (Ford Fiesta R3). Aos 91 anos, o tricampeão europeu (1966, 1967 e 1971) vai estabelecer um novo recorde de longevidade no automobilismo.

Como era

O Rally Safari surgiu em 1953 com o nome de East African Coronation Safari. Uma prova para homenagear a coroação da Rainha Elizabeth II que atravessava o Quênia e Uganda. Até 1996 ele foi disputado em estradas de terra abertas ao tráfego. Em vez das especiais, usava ‘setores seletivos’ que podiam passar dos 200 km de extensão. Os pilotos oficiais contavam com olheiros em helicópteros, que alertavam para o que vinha à frente. E os carros levavam vários componentes de reserva para reparações de emergência. A distância total de prova chegava a 4.000 quilômetros.

Em 1996 o Safari ganhou o formato habitual das demais etapas – especiais cronometradas em trechos fechados. Mas com distâncias bastante superiores às das outras provas: até 1.000 km contra o relógio. A logística necessária e os altos custos reduziram a extensão da prova nos últimos anos. O que não tirou a essência de um rally único.

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